Como criar um funil de vendas B2B que realmente funciona
A maioria das empresas B2B tem um funil de vendas desenhado. No papel, ele até faz sentido. Mas na prática, não funciona.
As oportunidades entram, mas não avançam. O pipeline fica inflado com deals parados. O forecast vira adivinhação. E no final do mês, ninguém sabe explicar por que a meta não bateu.
O problema não é ter ou não ter um funil. É que a maioria dos funis foi criado sem levar em conta como a venda realmente acontece. Este artigo vai te mostrar como criar um funil de vendas B2B que funciona de verdade, não só no PowerPoint.
Por que a maioria dos funis de vendas B2B não funciona
Antes de criar um funil que funciona, precisa entender por que o atual não está funcionando.
O motivo mais comum: o funil foi desenhado com base em como a empresa quer que a venda aconteça, não em como ela realmente acontece.
Exemplo clássico: uma empresa cria as etapas "Prospecção → Qualificação → Proposta → Negociação → Fechamento" porque leu em algum lugar que todo funil B2B tem essas fases. Mas quando olha para as vendas que realmente fecharam nos últimos seis meses, descobre que nenhuma delas seguiu esse caminho linear.
Algumas oportunidades pularam da qualificação direto para o fechamento. Outras ficaram três meses paradas na fase de proposta. Outras nunca passaram por negociação porque o cliente aceitou a primeira oferta.
Esse gap entre o funil desenhado e a realidade é o que quebra todo o resto. Porque se o funil não reflete o que acontece de verdade, ele não serve para prever, não serve para diagnosticar e não serve para melhorar.
O que é um funil de vendas B2B de verdade
Um funil de vendas é a representação visual de como uma oportunidade se move desde o primeiro contato até o fechamento. Cada etapa do funil corresponde a um estágio real pelo qual a oportunidade passa.
A diferença entre um funil que funciona e um que não funciona está em três coisas:
As etapas refletem o processo real da venda, não um ideal teórico. Cada etapa tem critérios claros de entrada e saída, baseados em ações concretas, não em suposições. O funil é revisado e ajustado constantemente com base no que está acontecendo de fato, não engavetado depois de criado.
Quando essas três coisas estão presentes, o funil deixa de ser decorativo e passa a ser operacional.
Os 5 passos para criar um funil de vendas B2B que funciona
1. Mapear como as vendas realmente acontecem hoje
Antes de criar o funil, você precisa entender como as vendas estão acontecendo agora. Não como você gostaria que acontecessem, mas como elas realmente acontecem.
Pegue as últimas 10 a 20 vendas fechadas e mapeie o caminho que cada uma percorreu. Qual foi o primeiro contato? Quantas reuniões aconteceram? Em que momento a proposta foi enviada? Quanto tempo levou entre a proposta e o fechamento?
Esse exercício vai revelar padrões. E são esses padrões reais que vão definir as etapas do seu funil, não um modelo genérico copiado da internet. Se você quer aprender como definir quem deve entrar no seu funil, leia sobre cliente ideal.
2. Definir as etapas do funil com base na realidade
Agora que você sabe como as vendas acontecem, é hora de criar as etapas do funil. Cada etapa deve representar um momento claro e identificável no processo de venda.
Uma regra prática: se você não consegue explicar em uma frase clara o que precisa acontecer para uma oportunidade avançar de uma etapa para outra, essa etapa não está bem definida.
Exemplo de etapa bem definida: "Proposta Enviada" → critério de entrada: proposta foi enviada ao decisor com prazo de resposta acordado. Critério de saída: cliente deu retorno (positivo, negativo ou pediu ajustes).
Exemplo de etapa mal definida: "Em Negociação" → sem critério claro de quando entra ou sai, cada vendedor interpreta de um jeito.
Quanto mais clara a definição, mais fácil fica acompanhar, prever e melhorar.
3. Estabelecer critérios de qualificação antes do funil
Nem toda oportunidade deve entrar no funil. Se entra qualquer coisa, o pipeline fica inflado, a taxa de conversão despenca e o time perde tempo com deals que nunca vão fechar.
Por isso, antes de criar uma oportunidade no CRM, é essencial ter critérios claros de qualificação. A oportunidade se encaixa no perfil do cliente ideal? O problema que ela tem é um problema que você resolve? Há decisor identificado e contexto sobre urgência?
Se a resposta para qualquer uma dessas perguntas for não, a oportunidade não entra no funil ainda. Ela fica em uma etapa anterior de nutrição ou qualificação até que esses critérios sejam cumpridos. Entenda os erros mais comuns na qualificação.
4. Definir o tempo esperado por etapa
Cada etapa do funil tem um tempo médio razoável. Se uma oportunidade fica parada por muito mais tempo do que o esperado, isso é sinal de problema.
Para definir esse tempo, olhe novamente para as vendas que fecharam. Quanto tempo, em média, cada uma ficou em cada etapa? Use esse dado como referência.
Exemplo: se a etapa "Proposta Enviada" dura em média 7 dias nas vendas que fecharam, qualquer oportunidade que esteja há mais de 14 dias nessa fase sem movimento precisa de atenção imediata. Ou o vendedor retoma o contato, ou a oportunidade é descartada.
Isso evita que o pipeline fique cheio de deals mortos que ninguém tem coragem de tirar.
5. Revisar e ajustar o funil constantemente
Um funil não é fixo. Ele precisa ser revisado e ajustado conforme o processo de vendas evolui.
Toda vez que uma venda fecha (ou não fecha), pergunte: o funil refletiu bem o que aconteceu? As etapas fizeram sentido? Alguma oportunidade pulou etapas que não deveria pular? Alguma ficou parada em uma fase que não deveria existir?
Essas perguntas ajudam a identificar quando o funil está desalinhado com a realidade. E quando está, você ajusta. Não é sobre ter o funil perfeito desde o início. É sobre ter um funil que melhora com o tempo, baseado no que realmente acontece.
O erro mais comum ao criar um funil de vendas B2B
O erro mais comum é copiar um modelo pronto de funil sem adaptar para a realidade da empresa.
Cada negócio B2B tem particularidades. O ciclo de vendas é diferente. O nível de envolvimento do cliente é diferente. A forma como a decisão é tomada é diferente. Um funil que funciona para uma empresa de SaaS com vendas de R$ 500 por mês não vai funcionar para uma consultoria que vende projetos de R$ 50 mil.
O funil precisa ser construído de dentro para fora, com base em como as vendas realmente acontecem na sua empresa, não em como acontecem em outras.
Construa um funil que reflete a realidade
Se o seu funil não está funcionando, o problema não é o conceito de funil. É que ele foi criado desconectado da forma como você realmente vende.
A solução não é abandonar o funil. É reconstruí-lo com base no que está acontecendo de verdade: como as oportunidades entram, como elas avançam, quanto tempo levam, onde travam e por que fecham ou não fecham.
Quando o funil reflete a realidade, ele deixa de ser um desenho bonito no PowerPoint e vira uma ferramenta de gestão que ajuda a prever, diagnosticar e melhorar as vendas todos os dias.
Se você quer construir um processo comercial com previsibilidade real, o primeiro passo é entender onde seu funil está falhando hoje.
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