Como fazer forecast de vendas B2B que realmente funciona (sem chute nem otimismo)

Todo final de mês é a mesma história. O gestor comercial olha para o pipeline, soma as oportunidades abertas e faz a previsão: "vamos bater meta". Mas quando o mês fecha, a realidade é outra. A meta não bate, e ninguém sabe explicar por quê.


O problema não é falta de oportunidades. É que o forecast está errado. E está errado porque foi feito com base em otimismo, não em critérios reais.


Este artigo vai te mostrar como fazer forecast de vendas B2B que realmente funciona, para que a previsão deixe de ser chute e passe a ser ferramenta de gestão confiável.


Por que a maioria dos forecasts de vendas B2B erra


Antes de falar em como fazer forecast certo, precisa entender por que ele está errando agora.


A causa mais comum: o forecast inclui todas as oportunidades que existem no pipeline, sem filtro nenhum. O gestor olha para 30 deals abertos, multiplica pelo ticket médio e assume que 20% vão fechar. Resultado: o forecast vira wishful thinking.


O problema é que nem todas as oportunidades no pipeline têm a mesma chance de fechar. Algumas têm movimento real, decisor engajado, próximo passo agendado. Outras estão paradas há semanas, sem ninguém saber se o cliente ainda tem interesse.


Quando você coloca tudo no mesmo saco, o forecast não reflete a realidade. Reflete uma esperança. E esperança não é método.


O que é forecast de vendas B2B de verdade


Forecast é a previsão de quantas oportunidades do pipeline vão fechar em um período específico (normalmente, o mês ou trimestre atual). Ele responde a pergunta: "quanto vamos faturar no mês que vem?".


A diferença entre um forecast que funciona e um que não funciona está em três coisas:


Ele só inclui oportunidades com critérios claros de fechamento, não todas que existem. Ele é revisado toda semana com base no que está acontecendo de fato, não criado uma vez no início do mês. Ele separa diferentes níveis de confiança (commit, best case, upside), não trata tudo como certo.


Quando essas três coisas estão presentes, o forecast deixa de ser otimismo e vira previsibilidade.


Os 5 passos para fazer forecast de vendas B2B confiável


1. Definir critérios claros para o que entra no forecast


O primeiro passo é o mais importante: definir o que entra no forecast e o que fica de fora.

Nem toda oportunidade no pipeline deve ser contada no forecast. Só as que cumprem critérios mínimos de probabilidade real. Esses critérios precisam ser objetivos, não baseados em feeling do vendedor.


Exemplos de critérios obrigatórios para entrar no forecast:


A oportunidade teve movimento real (reunião, ligação, troca de e-mails) nas últimas duas semanas. Há próximo passo concreto agendado (não "vou ligar na semana que vem", mas "reunião agendada para dia X às Y horas").


O decisor está identificado e já participou de pelo menos uma conversa. Há prazo de fechamento dentro do mês ou trimestre atual.


Se a oportunidade não cumpre todos esses critérios, ela não entra no forecast. Fica no pipeline, mas não é contada como "vai fechar". Essa separação é o que torna o forecast útil.


2. Separar forecast em três níveis de confiança


Nem todas as oportunidades que entram no forecast têm a mesma probabilidade de fechar. Algumas estão praticamente certas. Outras ainda têm risco.


Por isso, o forecast não pode ser um número único. Precisa ter três níveis:


Commit: oportunidades com altíssima probabilidade de fechar. Exemplo: proposta aceita verbalmente, só falta assinar contrato, ou cliente já começou onboarding.


Best case: oportunidades com boa probabilidade. Exemplo: proposta enviada, decisor engajado, próximo passo agendado dentro de poucos dias.


Upside: oportunidades com probabilidade moderada. Exemplo: qualificação feita, problema validado, mas ainda não chegou em proposta.


Quando você separa nesses três níveis, consegue ter uma visão realista do que vai fechar com certeza (commit), do que provavelmente vai fechar (best case) e do que pode fechar se tudo correr bem (upside). Isso permite planejar diferentes cenários, não apostar tudo em um número otimista.


3. Revisar o forecast toda semana, não uma vez por mês


Forecast não é feito uma vez no início do mês e esquecido. É revisado toda semana, porque as oportunidades mudam o tempo todo.


Uma oportunidade que estava em "best case" na semana passada pode ter esfriado e caído para "upside". Outra que estava em "upside" pode ter avançado rápido e subido para "commit". Se você só revisa o forecast no final do mês, não tem tempo de corrigir o rumo.


A revisão semanal do forecast acontece junto com a revisão do pipeline. São 30 minutos toda segunda-feira para responder: quais oportunidades subiram de nível? Quais caíram? Quais saíram do forecast porque não têm mais movimento real?


Essa disciplina semanal é o que mantém o forecast conectado com a realidade, não com o otimismo do início do mês.


4. Usar histórico de conversão para ajustar previsão


O forecast não pode ser baseado apenas no que o vendedor "acha" que vai fechar. Precisa usar dados históricos da taxa de conversão real da empresa.


Olhe para os últimos três meses. De todas as oportunidades que entraram em "best case", quantas fecharam de fato? Se a taxa foi 40%, essa é a probabilidade que você usa para calcular o forecast atual.


Exemplo: você tem 10 oportunidades em "best case" no valor total de R$ 100 mil. Se a taxa de conversão histórica dessa categoria é 40%, o forecast realista é R$ 40 mil, não R$ 100 mil.


Isso não é pessimismo. É realismo baseado em dados. E realismo é o que permite planejar, não torcer.


5. Conectar forecast com ações concretas


Forecast não serve só para informar "quanto vamos faturar". Serve para orientar ações.


Se o forecast está abaixo da meta, você tem duas opções: acelerar oportunidades que já estão no pipeline ou trazer novas oportunidades qualificadas rapidamente. Mas para tomar essa decisão, você precisa saber com antecedência, não na última semana do mês.


Por isso, a revisão semanal do forecast deve sempre terminar com uma pergunta: "baseado no forecast atual, quais ações concretas precisamos tomar esta semana para bater a meta?".


Se o forecast mostra gap de 30% para a meta e faltam três semanas para o mês acabar, o time precisa agir agora: retomar contatos parados, acelerar propostas, trazer novas oportunidades. O forecast não é só previsão. É diagnóstico que orienta decisão.


O erro mais comum ao fazer forecast


O erro mais comum é confundir forecast com meta. Meta é o que você quer alcançar. Forecast é o que você vai alcançar com base nas oportunidades reais que tem hoje.


Quando o gestor comercial faz forecast igual à meta todo mês, ele está mentindo para si mesmo. E quando a empresa inteira sabe que o forecast é sempre otimista, ele perde a função. Ninguém confia, ninguém usa, e no final das contas, ninguém planeja.


Forecast confiável não é o que te deixa feliz. É o que te deixa preparado. Mesmo que a notícia seja ruim, é melhor saber com antecedência do que descobrir no último dia do mês.


Faça forecast com base em dados, não em esperança


Se o seu forecast está sempre errado, o problema não é azar. É método.


Quando você faz forecast com critérios claros, três níveis de confiança, revisão semanal e ajuste baseado em histórico de conversão, ele deixa de ser chute e vira ferramenta de gestão real.


Forecast confiável não garante que você vai bater meta todo mês. Mas garante que você vai saber, com três semanas de antecedência, se vai bater ou não. E isso te dá tempo para agir, ajustar e corrigir o rumo.


Se você quer estruturar vendas B2B com previsibilidade real, comece fazendo forecast toda semana com critérios claros. Aprenda também como criar um funil de vendas que sustenta essa previsibilidade.



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