Como negociar em vendas B2B sem dar desconto (e fechar com margem saudável)

O cliente gostou da solução. Validou o problema. Entendeu o valor. Mas quando chegou a hora de fechar, pediu desconto. E você não soube o que fazer.


Deu 10% de desconto "para destravar". Cliente pediu mais 5%. Você deu. No final, fechou 20% abaixo do preço, e a margem que era boa virou apertada.


Este artigo vai te mostrar como negociar em vendas B2B sem precisar dar desconto toda vez, para que você feche com margem saudável e não vire fornecedor de preço baixo.


Por que vendedores dão desconto automático


Antes de falar em como negociar sem desconto, precisa entender por que vendedores caem nessa armadilha.

A causa mais comum: medo de perder a venda.


O cliente pediu desconto. O vendedor pensa: "se eu não der, ele vai comprar do concorrente". Então dá desconto antes mesmo de tentar defender o preço. Nem testa se o desconto era realmente necessário.


O problema é que quando você dá desconto fácil, três coisas acontecem:


1. Você ensina o cliente a pedir desconto. Se foi fácil agora, vai ser fácil de novo. E ele vai contar para outros clientes.

2. Você corrói margem. Desconto de 20% pode significar perder 50% da margem ou mais, dependendo da estrutura de custos.

3. Você vira commodity. Cliente passa a comparar só preço, não valor.


Desconto não é ferramenta de vendas. É último recurso quando todas as outras opções se esgotaram.


O que fazer antes de pensar em desconto


Desconto nunca deve ser a primeira resposta. Antes de considerar desconto, você precisa:


1. Validar se a objeção de preço é real ou tática


Nem todo pedido de desconto é real. Muitas vezes, é tática de negociação automática.


Como testar:


Cliente: "Está caro, preciso de desconto." Vendedor: "Entendo. Quando você fala que está caro, é porque não viu valor suficiente no que resolvemos, ou porque o orçamento está mais apertado do que imaginávamos?"


Se o cliente responde com clareza o motivo real, a objeção é legítima. Se a resposta é vaga ("é porque sempre pedimos desconto"), é tática.


2. Reforçar valor antes de discutir preço


Se o cliente não viu valor suficiente, desconto não resolve.


Volte para o problema e o ROI:


"Deixa eu recapitular: você validou que está perdendo R$ X por mês com esse problema. Nossa solução resolve isso em Y meses. O investimento é Z. Mesmo sem desconto, o retorno é de W% ao ano. Isso não faz sentido para você?"


Quando o valor está claro, o preço vira consequência, não objeção.


3. Explorar alternativas ao desconto


Se o cliente realmente tem restrição de orçamento, existem alternativas ao desconto:


  • Pagamento facilitado: parcelar em mais vezes sem juros.
  • Escopo reduzido: começar com versão menor e expandir depois.
  • Prazo de implementação: começar daqui a 60 dias quando orçamento estiver aprovado.
  • Desconto por volume: se ele aumentar o escopo, o custo unitário cai.
  • Contrapartida: desconto em troca de case, depoimento, indicações ativas.


Desconto sem contrapartida é prejuízo. Desconto com contrapartida que agrega valor para você pode fazer sentido.


As 5 técnicas para negociar sem dar desconto


1. Ancorar no valor, não no preço


A forma como você apresenta o preço importa mais do que o número.


Errado: "A solução custa R$ 50 mil." (cliente só ouve o número e compara com orçamento)

Certo: "Você validou que está perdendo R$ 30 mil por mês com esse problema. Nossa solução resolve isso em 2 meses. O investimento é R$ 50 mil. Ou seja, você recupera o investimento em menos de 2 meses e depois disso é só ganho."


Quando você ancora no valor, o preço vira pequeno comparado com o problema que está sendo resolvido.


2. Usar silêncio estratégico após apresentar preço


Quando você apresenta o preço, a primeira pessoa que fala depois perde.


Vendedor: "O investimento é R$ 50 mil." (silêncio) Cliente: "Hmm..." (pensando) Vendedor (erro): "Mas posso ver desconto se você fechar hoje!" ❌


Certo: Vendedor: "O investimento é R$ 50 mil." (silêncio de 5-10 segundos) Cliente: "Está alto, mas faz sentido pelo que resolve."


O silêncio cria desconforto. E quem quebra o silêncio primeiro geralmente cede primeiro.


3. Fazer o cliente justificar o pedido de desconto


Não dê desconto sem entender por quê.


Cliente: "Preciso de desconto." Vendedor: "Claro, posso entender. Mas para eu levar isso internamente, preciso te perguntar: o desconto é porque você não viu valor suficiente na solução, ou porque o orçamento disponível é menor do que o investimento?"


Quando o cliente precisa justificar, ele percebe se o pedido é legítimo ou tática.


4. Usar a técnica "se... então"


Se você vai dar algo, sempre peça algo em troca.


Cliente: "Consigo 15% de desconto?" Vendedor: "Posso ver internamente. Mas para justificar, precisaria de algo em troca. Se eu conseguir aprovar 10% de desconto, você conseguiria fechar hoje e ser case de referência ativo?"


Isso transforma desconto em troca. Não é concessão unilateral.


5. Ter alternativa de "take it or leave it"


Você só negocia bem quando está disposto a perder a venda.


Se você precisa fechar a qualquer custo, o cliente sente isso e pressiona mais. Se você está confortável em perder a venda se não fizer sentido, o cliente percebe e respeita o preço.


Exemplo de postura certa:


Cliente: "Só fecho se tiver 25% de desconto." Vendedor: "Entendo. Infelizmente 25% não é viável porque compromete nossa capacidade de entregar com qualidade. Posso fazer até 10% se você fechar hoje e for case ativo. Se 10% não funcionar, sem problema, a gente pode retomar a conversa quando o orçamento estiver mais folgado."


Quando você mostra que está OK em não fechar se não fizer sentido, o cliente reavalia se o desconto era realmente necessário.


Quando desconto faz sentido (os 3 casos)


Desconto não é sempre errado. Mas só faz sentido em 3 situações:


1. Desconto por volume real


Se o cliente aumenta significativamente o escopo, o custo unitário pode cair. Exemplo: "O preço por usuário é R$ 100. Mas se você começar com 100 usuários ao invés de 50, consigo fazer R$ 85 por usuário."


2. Desconto com contrapartida valiosa


Se o cliente oferece algo que agrega valor real para você. Exemplo: "Posso fazer 12% de desconto se você fizer 2 webinars apresentando nosso case para o mercado, porque isso gera leads qualificados para nós."


3. Desconto para destravar decisão em oportunidade estratégica


Se é cliente estratégico (grande, referência no mercado, porta de entrada para segmento novo) e o desconto destrava decisão que estava travada por orçamento. Mas mesmo assim, sempre com contrapartida (case, indicações, prazo de contrato maior).


O erro mais comum em negociação B2B


O erro mais comum é dar desconto antes de defender o valor.


Cliente pede desconto. Vendedor responde: "Posso fazer 10%". Nem tentou reforçar valor, nem explorou alternativas, nem testou se era objeção real.


Quando você dá desconto fácil, você:

Treina o cliente a sempre pedir desconto. Corrói margem sem necessidade. Vira fornecedor de preço baixo, não de valor alto.


Defenda o valor primeiro. Desconto é último recurso, não primeira opção.


Negocie com base em valor, não em medo


Se você está dando desconto toda vez que o cliente pede, o problema não é o preço. É que você não está defendendo o valor adequadamente durante o processo de vendas.


Quando você ancora no valor, usa silêncio estratégico, pede justificativa, troca por contrapartida e está OK em perder a venda se não fizer sentido, o desconto deixa de ser automático.


Margem saudável não é sobre cobrar caro. É sobre cobrar justo pelo valor que você entrega. E quando o valor está claro, o preço se justifica sozinho.


Se você quer melhorar seu win rate, lidar melhor com objeções e estruturar vendas B2B com previsibilidade, comece defendendo o valor antes de discutir preço.



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