Gestão de vendas baseada em dados: como sair do achismo e construir previsibilidade comercial
Tomar decisões de vendas com base em intuição pode até funcionar em operações pequenas ou em momentos pontuais. Mas, quando o time cresce, a meta aperta e a cobrança por previsibilidade aumenta, achismo vira risco operacional e risco caro.
No episódio do VendAZ com Fernanda Marocco, gestora de vendas na Nalk e referência em gestão orientada a dados, fica claro que dados não são relatórios frios: são evidências do que está (ou não) acontecendo com as pessoas, os processos e a estratégia comercial.
Este artigo organiza os principais aprendizados do episódio e mostra como líderes podem assumir o papel de gestores de informação, corrigindo a rota antes que a meta vá por água abaixo.
Dados são evidências, não apenas números
O primeiro erro de muitos líderes é tratar dados como algo operacional ou secundário. Fernanda é direta: dados são provas concretas do trabalho que está sendo feito.
O feeling do líder continua importante principalmente para avaliar perfil, postura e comportamento, mas ele precisa ser sustentado por evidências reais. Quando o resultado não vem, o caminho não é culpar o time ou o mercado, e sim voltar ao processo e responder uma pergunta simples: onde exatamente a engrenagem falhou?
Quando o CRM está mal preenchido, o que se cria não é um banco de dados, mas um bando de dados: informações soltas, inconsistentes e inúteis para decisão estratégica.
O conceito de Pace: ritmo antes do resultado
Um dos conceitos mais práticos do episódio é o Pace, o indicador que mostra se o time está no ritmo certo para bater a meta no final do mês.
Enquanto o resultado final só aparece no fechamento, o Pace é acompanhado diariamente e permite ajustes rápidos.
- Pré-vendas (SDRs): o Pace indica se a geração de demanda está suficiente
- Vendas (Closers): mostra se a conversão está dentro do esperado
Esse dado, inclusive, elimina conflitos clássicos entre marketing e vendas. Se as reuniões não estão acontecendo, o Pace mostra se o problema é volume de oportunidades ou qualidade/conversão.
Discussão vira diagnóstico.
Playbook não é documento: é arquivo vivo
Outro ponto central é o papel do playbook comercial. Fernanda reforça que playbook não pode ser um PDF esquecido na pasta da empresa.
Playbook é um arquivo vivo, atualizado constantemente com:
- Novas objeções
- Testes de abordagem
- Ajustes de discurso
- Aprendizados de perda e ganho
E aqui entra um ponto-chave de liderança: o playbook é responsabilidade do gestor, não do vendedor. Se o processo é confuso ou inexistente, o erro não é da execução é do desenho.
Um bom processo protege o vendedor. Se ele segue o playbook e não performa, a obrigação de mudar a estratégia é da liderança.
Rituais de gestão sustentam alta performance
Alta performance não nasce de motivação eventual, mas de rituais bem executados. Fernanda descreve uma cadência extremamente clara:
Pipe review diário
Reuniões individuais e profundas (deal review), analisando oportunidade por oportunidade:
- Onde travou?
- Qual objeção não foi tratada?
- O problema é perfil, timing ou discurso?
Roleplay diário
Treinos de simulação todos os dias:
- Closers: 9h
- SDRs: 11h
Não é treinamento pontual é evolução contínua.
Análise de motivos de perda
Especialmente em pré-vendas, entender por que oportunidades morrem é essencial para refinar ICP, discurso e canal.
CRM não é opcional: é contrato psicológico
Na cultura defendida por Fernanda, o preenchimento do CRM é inegociável. Não é “boa prática”, é parte do trabalho pelo qual o vendedor é remunerado.
Informações atrasadas ou incorretas no CRM quebram a cadeia de decisão e podem gerar consequências reais, inclusive financeiras, como impacto em comissão.
O princípio é simples: quem não assume autorresponsabilidade sobre dados não é aderente à cultura. E cultura desalinhada, cedo ou tarde, precisa ser corrigida.
Senioridade é taxa de conversão, não tempo de casa
Outro aprendizado importante é a redefinição de senioridade. Tempo de empresa não é métrica de maturidade comercial.
Um vendedor é sênior quando:
- Converte mais com o mesmo volume
- Tem previsibilidade de resultado
- Executa bem o processo com consistência
Isso impacta diretamente a distribuição de leads. Leads mais complexos ou exigentes devem ir para vendedores com maior aderência de postura, discurso e taxa de conversão não necessariamente para quem “está há mais tempo”.
Inteligência Artificial acelera decisões, não corrige processo
A IA aparece como aliada poderosa, desde que bem posicionada. Fernanda é clara: IA não conserta processo ruim.
Se o funil está errado, a IA apenas acelera o erro. Quando bem aplicada, ela atua como:
- Centralizadora de dados
- Identificadora de padrões
- Geradora de insights em tempo real
Mas sempre como suporte à decisão humana, não como substituta da liderança.
Liderança que pega junto cria cultura de verdade
No fim, tudo volta às pessoas. Dados, rituais e ferramentas só funcionam quando a liderança dá o exemplo.
A tropa é reflexo do líder. Se o gestor não olha dados, o time não respeita dados. Se o líder não entra no detalhe, o time passa batido.
Fernanda também destaca a força do ambiente presencial em vendas, especialmente para criar energia, foco e senso de urgência. Vendas é execução sob pressão — e isso exige proximidade, acompanhamento e presença.
Dados não tiram autonomia. Eles dão direção.
O grande recado do episódio é simples e poderoso: dados não engessam pessoas eles libertam a gestão do improviso.
Quando o líder assume o papel de gestor de informação, as decisões deixam de ser reativas, a performance se torna previsível e o time entende exatamente o que precisa fazer para vencer.
Próximo passo
Se sua operação ainda decide com base em “sensação”, “experiência passada” ou “intuição”, o risco já está instalado — mesmo que a meta ainda esteja sendo batida.
Na Sessão Estratégica de Diagnóstico, analisamos:
- Seus indicadores
- Seus rituais de gestão
- Seu nível real de previsibilidade
E mostramos o que precisa mudar para transformar dados em performance.
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