Gestão de pessoas em vendas B2B: como liderar times de alta performance com previsibilidade

Liderar um time de vendas de alta performance é muito diferente de apenas bater meta no curto prazo. Quando a operação cresce, o número de pessoas aumenta e a complexidade se intensifica, liderança deixa de ser talento individual e passa a ser sistema, método e cultura.


No episódio 2 do VendAZ, a conversa com Ferrúcio Júnior, Diretor de Vendas SMB da RD Station, expõe com profundidade o que sustenta uma das maiores operações comerciais da América Latina: mais de 60 mil clientes, centenas de vendedores e uma máquina de receita que não depende de heróis.



Este artigo organiza os principais aprendizados do episódio e traduz como líderes podem desenvolver pessoas, manter cultura e gerar previsibilidade em vendas B2B.

Liderar é servir e gostar de pessoas


O ponto de partida de Ferrúcio é direto: liderança não é status, nem promoção automática para quem vende bem. Liderar exige vontade genuína de servir pessoas.


Para ele, empresas não são CNPJs nem estruturas abstratas. São conjuntos de indivíduos caminhando na mesma direção. O papel do líder é desenvolver esses “serzinhos humanos” para que alcancem seus objetivos pessoais e profissionais e, como consequência, entreguem o resultado da empresa.


Quando alguém busca liderança apenas por salário ou poder, dificilmente sustenta o papel no longo prazo.


Empatia assertiva: verdade sem brutalidade


Um dos conceitos mais fortes do episódio é o equilíbrio entre empatia e assertividade. Ferrúcio defende uma liderança extremamente direta, mas profundamente humana.


Feedback, quando bem feito, não é ataque é presente. O líder que omite a verdade para “evitar desconforto” está, na prática, atrasando o crescimento do liderado e prejudicando o time.


Além disso, a liderança precisa ser contextual:


  • Empresas em fase de construção exigem mais orientação
  • Momentos de guerra exigem mais firmeza
  • Pessoas diferentes demandam abordagens diferentes


Segurança psicológica não vem de respostas prontas, mas da maturidade do líder em dizer “não sei” ou “vou pensar melhor”. Isso gera mais confiança do que improvisar certezas.


Contratação: perfil comportamental vem antes da técnica


Ferrúcio é categórico: técnica se ensina, comportamento não. Por isso, ao formar times de vendas, o critério principal deve ser perfil e alinhamento cultural, não apenas histórico de resultados.


Ele destaca o conceito do vendedor “ambivertido”: não o extrovertido carismático nem o introvertido técnico, mas aquele que sabe escutar, ler o ambiente e se adaptar ao cliente.


Um dos aprendizados mais duros compartilhados é a decisão de desligar um top performer por desalinhamento cultural. Mesmo com medo inicial de queda de receita, o efeito foi o oposto: o time performou melhor após a saída do elemento tóxico.


Cultura não é negociável. Performance sem cultura cobra um preço alto depois.


CRM e disciplina operacional são responsabilidade do líder


Um erro comum em vendas é culpar o time por dados ruins. Ferrúcio inverte essa lógica: se o CRM está bagunçado, a responsabilidade é do gestor.


CRM não é ferramenta administrativa, é o coração da gestão por dados. Sem disciplina no preenchimento, não existe previsibilidade, não existe forecast confiável e não existe tomada de decisão madura.


Rigor operacional não é controle excessivo. É o que permite liberdade com responsabilidade.


Previsibilidade nasce da disciplina e do compromisso


Para Ferrúcio, previsibilidade não é sorte nem projeção otimista. É a soma de dois fatores:


  • Disciplina operacional (processo bem executado)
  • Compromisso real com o número


Ele usa uma metáfora forte: “tatuar o número no braço”. Não como pressão vazia, mas como compromisso racional. O líder precisa entender o porquê daquele número, acompanhar diariamente e agir rápido quando algo sai do plano.


A síndrome do dia 13


Um dos conceitos mais práticos do episódio é a chamada síndrome do dia 13. Por volta desse dia do mês, já é possível saber se a meta será batida ou não.


Times maduros não descobrem o fracasso no dia 29. Se o pipeline não sustenta a meta no início do mês, o líder precisa agir imediatamente: ajustar foco, priorizar deals, mudar estratégia ou aceitar que o mês não fecha e aprender com isso.

Descobrir cedo permite reação. Descobrir tarde gera desculpa.


Liderar é descer para a operação quando necessário


Mesmo em cargos de diretoria, Ferrúcio defende que o líder precisa “sujar a mão”. Entrar em calls, participar de negociações e ajudar a destravar negócios críticos não diminui autoridade constrói respeito.


Isso serve para três coisas:


  • Ganhar credibilidade com o time
  • Entender o que realmente acontece na ponta
  • Identificar gargalos que não aparecem em relatórios


Líder distante da operação perde conexão com a realidade e com as pessoas.


Alta performance, saúde mental e o modo de guerra


Um ponto sensível abordado no episódio é o burnout em vendas. Ferrúcio traz uma visão pouco romantizada: muitas vezes o problema não é trabalhar demais, mas trabalhar muito e não ver resultado.


Bater meta gera senso de capacidade, confiança e alívio emocional. Frustração constante, por outro lado, gera esgotamento.


Em momentos críticos, existe o chamado modo de guerra: esforço concentrado, mais horas e foco extremo. Isso é aceitável quando existe equilíbrio, autonomia e compensação em outros momentos.


Adultos responsáveis, alinhados e respeitados sabem quando acelerar e quando recuperar.


Formar líderes intermediários é o verdadeiro desafio da escala


Para gerir operações grandes, o maior desafio não é mais vender, mas formar líderes que formem pessoas. Ferrúcio destaca a importância das lideranças intermediárias como multiplicadores de cultura e padrão de excelência.


Ele busca líderes que saibam por que querem estar naquela cadeira e que não aceitem mediocridade confortável. Subir a régua dói no curto prazo, mas eleva todo o sistema no médio e longo prazo.


Escala sem liderança intermediária forte vira caos.


Liderança em vendas é sistema, não heroísmo


O episódio deixa uma mensagem clara: times de vendas de alta performance não dependem de talentos individuais, mas de liderança consistente, disciplina operacional e cultura forte.


Quando pessoas são bem geridas, desenvolvidas e acompanhadas, o resultado deixa de ser uma surpresa e passa a ser consequência.


Próximo passo


Se sua operação cresce, mas sofre com inconsistência, desgaste do time ou falta de previsibilidade, o problema provavelmente não está apenas no funil ou no pipeline está na forma como pessoas são lideradas.



Na Sessão Estratégica de Diagnóstico, analisamos como liderança, gestão de performance e cultura estão impactando seus resultados e o que precisa mudar para escalar com gente boa e previsibilidade.

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