Como a gestão de pessoas aumenta performance nas empresas: aprendizados do VendAZ com Magnun Barcarol (YOU RH)
Durante muito tempo, gestão de pessoas foi tratada como um tema “soft”, secundário ou desconectado de resultado. No episódio do podcast VendAZ com Magnun Barcarol, CEO da YOU RH e ex-executivo de vendas da Ambev e Monsanto, essa visão é desmontada de forma direta: empresas que não entendem de pessoas não entendem de negócios.
A conversa revela, sem romantização, como performance, crescimento e previsibilidade passam necessariamente por recrutamento, cultura, rituais, dados e desenvolvimento contínuo. Não como iniciativas isoladas, mas como um sistema integrado.
Este artigo organiza os principais aprendizados do episódio e mostra como líderes e gestores podem aplicar essas ideias na prática.
Pessoas são o verdadeiro sistema operacional da empresa
Magnun parte de um ponto simples e muitas vezes ignorado: empresas investiram pesado em ERP para controlar finanças e em CRM para organizar vendas, mas negligenciaram o terceiro pilar da gestão moderna a gestão de pessoas.
Clientes são pessoas. Times são pessoas. Decisões, execução e resultado passam por comportamento humano. Quando a empresa não mede, não desenvolve e não gere bem seu time, ela cria um limite invisível para o crescimento.
Performance sustentável não nasce de cobrança excessiva, mas de ambientes bem estruturados, com clareza, rituais e dados.
Onde as empresas mais erram na gestão de pessoas
Um dos pontos centrais do episódio é a constatação de que a maioria das empresas erra não por falta de boa intenção, mas por ausência de método. Os erros mais comuns incluem:
- Contratar rápido demais, sem critério comportamental claro
- Onboarding fraco ou inexistente
- Falta de acompanhamento estruturado
- Desenvolvimento baseado em feeling, não em dados
- Cobrança por resultado sem suporte para evolução
Esses erros criam um ciclo conhecido: alta rotatividade, queda de performance, líderes sobrecarregados e times desengajados.
Recrutamento estratégico: inbound não é suficiente
Magnun traz uma analogia poderosa ao comparar recrutamento com vendas. Assim como depender apenas de leads inbound limita crescimento, esperar candidatos aparecerem espontaneamente limita a qualidade do time.
Ele diferencia dois modelos:
Inbound de candidatos
A empresa publica uma vaga e espera interessados. Em muitos casos, atrai profissionais em constante troca de emprego, sem alinhamento de longo prazo.
Outbound de candidatos
A empresa define o ICP do colaborador ideal e vai atrás dele ativamente, mesmo que não esteja procurando emprego naquele momento. Isso exige mais trabalho, mas eleva drasticamente a qualidade da contratação.
O ponto-chave: recrutar bem é uma competência estratégica, não uma tarefa operacional.
Soft skills vêm antes das hard skills
Outro aprendizado central é a inversão de prioridade na contratação. Habilidades técnicas podem ser ensinadas em meses. Comportamento, não.
Para áreas como vendas, Magnun destaca algumas competências comportamentais críticas:
- Ambição saudável
- Inteligência emocional para lidar com rejeição
- Resiliência diante de metas e pressão
- Disciplina para executar tarefas repetitivas diariamente
- Capacidade de adaptação em cenários instáveis
Empresas que contratam apenas pelo currículo técnico tendem a pagar caro depois, seja em baixo desempenho, seja em turnover.
Pressão não gera performance. Intensidade gera.
Um dos conceitos mais fortes do episódio é a diferença entre pressão e intensidade.
Pressão excessiva gera medo, burnout e comportamento defensivo. Pressão baixa gera acomodação. O papel do líder é atuar como um termostato, regulando a intensidade correta.
Intensidade, segundo Magnun, é o que “distorce o tempo”: quando rituais, metas claras e acompanhamento próximo fazem um time evoluir mais rápido do que o esperado.
A cobrança só faz sentido quando vem acompanhada de:
- Presença do líder
- Educação contínua
- Clareza sobre o que melhorar
- Suporte para destravar gargalos
Cultura não se copia. Se constrói com método.
Cultura não é discurso na parede nem valores genéricos. Ela é construída diariamente pelas decisões que a liderança toma e tolera.
Na YOU RH, Magnun destaca alguns pilares culturais claros:
- Transparência como base da confiança
- Vulnerabilidade para criar segurança psicológica
- Desenvolvimento contínuo para evitar obsolescência
- Dados para tornar decisões mais justas
- Resultado como consequência, não como único foco
Quanto mais a empresa mede, mais justa ela se torna. Quanto mais clara é a régua, menos espaço existe para favoritismo, ruído e conflitos internos.
PDI não é benefício. É ferramenta de retenção.
Com níveis altos de turnover no mercado, o episódio reforça que pessoas não saem apenas por salário. Elas saem por falta de perspectiva.
O Plano de Desenvolvimento Individual (PDI) surge como uma das ferramentas mais poderosas para retenção quando bem utilizado. Ele ajuda o colaborador a responder perguntas essenciais:
- Onde posso chegar aqui dentro?
- O que preciso desenvolver para crescer?
- Quanto posso ganhar no futuro se performar bem?
Quando o colaborador enxerga futuro, ele tende a ficar. Quando não enxerga, começa a procurar fora.
O papel do líder no sonho do colaborador
Um dos trechos mais marcantes da conversa é a visão de que o colaborador não precisa “vestir a camisa da empresa”, mas sim vestir a própria camisa.
O papel do líder não é exigir lealdade cega, mas mostrar que, ao performar bem na empresa, o colaborador está realizando seus próprios objetivos pessoais — seja estabilidade, crescimento financeiro ou desenvolvimento profissional.
Quando isso acontece, engajamento deixa de ser forçado e passa a ser natural.
Gestão de pessoas é alavanca de previsibilidade
O episódio com Magnun Barcarol deixa uma mensagem clara: não existe crescimento previsível sem gestão de pessoas estruturada.
Empresas que desejam escalar vendas, melhorar retenção, reduzir churn interno e aumentar performance precisam tratar gente com o mesmo rigor que tratam funil, pipeline e métricas comerciais.
Processo, dados, rituais e cultura não são opostos de humanização. São justamente o que permite que pessoas performem melhor sem adoecer.
Próximo passo
Se você sente que sua operação cresce, mas perde eficiência, pessoas e previsibilidade no caminho, o problema provavelmente não está apenas em vendas ou marketing — está na forma como sua empresa gere gente, liderança e desenvolvimento.
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