Como vender de forma escalável com o modelo de representantes comerciais: aprendizados do VendAZ com Rodrigo Prado

No episódio do VendAZ, o tema central foi um dos mais relevantes (e mal executados) canais de vendas no Brasil: representação comercial.


Para aprofundar o assunto, recebemos Rodrigo Prado, referência nacional em representação comercial e criador do método Representante 4.0. Ao longo da conversa, ele desmonta mitos, expõe erros comuns e mostra como transformar a representação em um modelo realmente escalável, previsível e profissional.


O episódio deixa um recado claro:


representação comercial não falha por falta de potencial, mas por falta de método, gestão e liderança.

Representação comercial continua sendo um dos canais mais fortes do Brasil


Apesar do crescimento de Inside Sales e canais digitais, a representação comercial segue como a maior força de vendas B2B do país, especialmente em indústrias, distribuição e mercados regionais.



Isso acontece porque o modelo carrega vantagens estruturais:


  • o representante assume risco e custo
  • há forte presença local
  • o relacionamento pessoal acelera decisões
  • a indústria paga por performance, não por estrutura fixa


O problema não está no canal, mas na forma como ele é gerido.


Do bom vendedor ao empresário da representação


Segundo Rodrigo, o maior gargalo da representação comercial não é a falta de clientes, mas a desorganização interna.


Muitos representantes são excelentes vendedores, mas fracassam como empresários.
Eles dominam a venda, mas não gestão, finanças, processos ou marketing.

O crescimento sustentável exige uma transição clara por três fases.


Fase 1: dependência total do dono


O representante vende, atende, cobra, organiza pedidos e resolve problemas.
A empresa só funciona quando ele está presente.


Fase 2: organização


Começam a surgir processos, controles e divisão de responsabilidades.
A operação deixa de ser improvisada.


Fase 3: maturidade


A empresa passa a funcionar sem depender do dono em todas as decisões.

Aqui nasce escala real.

Sem essa evolução, a representação vira um teto, não uma alavanca.


Gestão por indicadores: o fim da indústria refém do representante


Rodrigo desmonta um problema clássico:

indústrias que se sentem reféns de seus representantes.


Isso não acontece por falta de contrato, mas por ausência de gestão orientada por dados.


Cobrar apenas faturamento bruto é insuficiente.

É preciso acompanhar indicadores que revelam a saúde real da operação.


Indicadores essenciais na gestão de representantes


Positivação da carteira


Não adianta bater meta vendendo para apenas uma parte da base.

A pergunta correta é: quantos clientes da carteira estão realmente comprando?


Cobertura incompleta esconde oportunidades perdidas.


Mix de produtos


Outro erro comum é permitir que o representante venda apenas os itens mais fáceis.


A gestão precisa acompanhar se o portfólio está sendo trabalhado de forma equilibrada ou se há dependência de poucos produtos.


Progressão de carteira


Abrir novos clientes sem perder os antigos é essencial.


Quando a carteira cresce, mas a base ativa não se mantém, o problema é estrutural o famoso “balde furado”.


Código de Conduta Comercial: alinhamento desde o início


Para evitar conflitos e desalinhamentos, Rodrigo sugere substituir a ideia genérica de “cultura CLT” por um Código de Conduta Comercial.


Esse documento define de forma clara:


  • missão e visão
  • valores esperados
  • comportamentos mínimos
  • uso obrigatório de ferramentas como CRM


Mais importante: o código deve ser assinado pelo representante no início da parceria, deixando expectativas explícitas desde o primeiro dia.


Gestão do tempo: a regra 60/40


Uma pesquisa citada por Rodrigo, com mais de 5.000 representantes, revelou um dado alarmante:


60% do tempo do representante é gasto com burocracia, enquanto apenas 40% é dedicado a atividades que realmente geram crescimento.

Isso inclui:


  • digitação de pedidos
  • tarefas administrativas
  • suporte operacional
  • deslocamentos improdutivos


A primeira contratação do representante


A recomendação é clara:

o primeiro investimento do representante deve ser em suporte comercial.


Esse profissional assume os 60% burocráticos, liberando o representante para:


  • prospectar
  • fortalecer relacionamento
  • expandir carteira


O retorno não vem do que o assistente vende, mas do tempo estratégico que ele devolve ao dono da operação.


O papel do gestor da indústria como mentor


Outro ponto crítico do episódio é a redefinição do papel do gerente de vendas da indústria.


Ele não deve atuar apenas como cobrador de meta, mas como mentor do representante.

Isso envolve ajudar o parceiro a responder perguntas difíceis:


  • minha estrutura comporta o potencial da região?
  • estou cobrindo todo o mercado disponível?
  • preciso contratar apoio para crescer?


Quando o representante se recusa a estruturar sua operação, o gestor precisa agir com clareza.


Se uma região comporta 200 clientes e apenas parte disso é atendida, a indústria deve:


  • reduzir a região do representante atual
  • ou incluir novos parceiros para explorar o potencial não atingido


Pragmatismo com dados evita decisões emocionais e preserva o crescimento.


Tecnologia e CRM como pilar inegociável


Rodrigo reforça que CRM não é opcional em operações com representação comercial.

Sem dados, a indústria perde:


  • visibilidade da carteira
  • previsibilidade
  • capacidade de decisão


Ele cita a plataforma Suas Vendas como referência no setor, por integrar:


  • CRM
  • gestão financeira
  • portal B2B
  • inteligência artificial


Tudo em um único ecossistema voltado à realidade da representação.


Representação comercial vs. Inside Sales


O episódio deixa claro que não se trata de escolher um modelo ou outro.


A representação segue forte porque:


  • assume risco
  • opera no campo
  • fecha tickets médios e altos com relacionamento


Já o Inside Sales pode ser usado de forma complementar:


  • qualificação de leads
  • reativação de clientes inativos
  • apoio em vendas de menor complexidade


Modelos híbridos tendem a ser mais eficientes do que estruturas puramente diretas ou indiretas.


Liderança e as conversas difíceis com representantes antigos


Por fim, Rodrigo aborda um tema sensível: representantes que já performaram bem, mas estagnaram.

A solução não é confronto emocional, mas dados e pragmatismo.


Quando números mostram estagnação por anos consecutivos, a indústria precisa:


  • reconhecer o histórico do parceiro
  • preservar sua atuação atual
  • abrir espaço para novos representantes explorarem o potencial não atendido


Isso protege a relação e o crescimento do negócio ao mesmo tempo.


Conclusão


O episódio deixa um aprendizado central:


representação comercial escala quando deixa de ser informal e passa a ser gerida como negócio.


Empresas que querem crescer com previsibilidade precisam:


  • tratar representantes como empresários
  • gerir por indicadores, não por sensação
  • estruturar código de conduta e governança
  • investir em tecnologia e dados
  • assumir liderança ativa sobre o canal


Quando isso acontece, a representação deixa de ser risco e se torna uma das maiores alavancas de crescimento B2B.

Se você quer entender como estruturar ou evoluir seu canal de vendas indiretas com método e previsibilidade, o próximo passo é participar de uma Sessão de Diagnóstico gratuita com a Academia de Metas:

👉 https://www.academiademetas.com.br/sessao-de-diagnostico/