Como criar uma cultura forte no time de vendas: aprendizados reais do VendAZ com Anderson Nielson
No episódio do
VendAZ, a conversa foi direta ao ponto onde muitas operações comerciais falham:
cultura não se copia, se constrói todos os dias.
Para falar sobre isso, recebemos Anderson Nielson, uma das maiores referências em gestão de pessoas e formação de times de alta performance no Brasil. Com passagens por empresas como Chaordic, Linx, RD Station, Feedz e atualmente na Stone, Anderson construiu sua carreira formando líderes, acelerando times e criando ambientes de alta entrega sem abrir mão de bem-estar e coerência cultural.
Este artigo reúne os principais aprendizados da conversa, conectando cultura, liderança, vendas B2B e crescimento sustentável.
Nada grande se constrói sem gente
O ponto de partida da conversa é uma afirmação simples, mas frequentemente ignorada:
não existe business sem pessoas.
Empresas não tomam decisões, não executam planos e não entregam resultados.
Quem faz isso são pessoas, organizadas em times, tomando decisões todos os dias.
Quando líderes tratam “o negócio” como algo abstrato, perdem de vista o elemento mais crítico da operação: gente bem direcionada, bem cuidada e bem liderada.
Crescimento previsível começa pela capacidade de formar times que executam com consistência.
Contratar bem é responsabilidade do dono, especialmente no início
Um dos alertas mais importantes do episódio diz respeito ao processo de contratação.
Em empresas pequenas ou em fase de estruturação,
o dono não pode terceirizar a contratação.
Contratar errado custa caro, consome tempo e compromete a cultura antes mesmo dela existir.
Anderson propõe um modelo claro baseado em três verificações fundamentais.
As três verificações essenciais na contratação
Condições: capacidade e potencial
A pergunta não é apenas se a pessoa sabe fazer, mas se tem capacidade de aprender rápido.
Histórico ajuda, mas potencial e curva de aprendizado são ainda mais importantes em ambientes em construção.
Querer: propósito e motivação real
A pessoa precisa querer aquela missão.
Não apenas o salário, o cargo ou o status, mas o desafio real que a empresa propõe.
Quando propósito não está claro, a relação se rompe nos primeiros obstáculos.
Ajuste: o fit cultural
Anderson resume essa verificação de forma direta:
“a gente vai se aturar?”
Valores, crenças, ritmo de trabalho e forma de lidar com pressão precisam conversar.
Sem isso, a empresa cresce com atrito constante.
Realistic Job Preview: vender a vaga como ela é
Outro erro comum apontado no episódio é a tentativa de “embelezar” a vaga.
Prometer estrutura perfeita, processos maduros e cenário ideal gera frustração rápida.
A recomendação é clara:
trate a vaga como um produto e faça uma venda realista.
Mostrar o que ainda não está pronto, onde dói e onde a pessoa terá que ajudar a construir aumenta drasticamente:
- retenção
- engajamento
- responsabilidade compartilhada
A pessoa certa entra sabendo exatamente onde está pisando.
O método dos 4 As da gestão de pessoas
Para sustentar cultura no dia a dia, Anderson apresenta um framework prático para líderes: os 4 As da gestão.
Alinhar expectativas
Tudo começa com clareza.
O colaborador precisa saber exatamente:
- o que se espera dele
- quais são as metas
- quais comportamentos são valorizados
Sem alinhamento, qualquer avaliação vira achismo.
Acompanhar com ritos consistentes
Gestão não acontece no improviso.
O destaque aqui são as one-on-ones (1:1s), que devem ser:
- frequentes (semanais ou quinzenais)
- longas o suficiente (40 a 50 minutos)
- focadas na pessoa, não só no número
Esses encontros constroem confiança, proximidade e credibilidade.
Avaliar com base no que foi alinhado
A
valiação não é julgamento pessoal.
Ela precisa ser consequência direta do alinhamento feito anteriormente.
Quando isso não acontece, feedback vira conflito.
Atuar com coragem e coerência
A gestão só se completa quando o líder age.
Isso pode significar:
- treinar
- reconhecer
- corrigir
- promover
- ou desligar
Postergar decisões destrói cultura silenciosamente.
Liderança é facilitar crescimento, não centralizar controle
Um ponto central da conversa é a mudança de mentalidade exigida da liderança.
O desenvolvimento da carreira é responsabilidade do indivíduo, mas o líder atua como:
- facilitador
- inspirador
- provedor de contexto e condições
Liderança não é microgerenciamento.
É criar um ambiente onde as pessoas consigam performar no seu melhor nível.
Liderar pelo exemplo e ter conversas difíceis
Cultura não está em slides, mas em comportamentos observáveis.
O líder precisa ser a personificação dos valores da empresa, principalmente em fases de crescimento, quando novos líderes começam a surgir.
Outro ponto crítico é a coragem de ter conversas difíceis, baseadas no conceito de empatia assertiva:
- verdade com respeito
- cuidado sem omissão
- clareza sem agressividade
Segurança psicológica nasce quando as pessoas sabem que feedbacks são honestos e construtivos.
Cultura em escala e no trabalho remoto
O episódio também desconstrói a ideia de que cultura se perde quando a empresa cresce ou trabalha remotamente.
Anderson usa a metáfora da cidade:
assim como bairros diferentes podem ter estilos distintos, áreas diferentes da empresa também podem ter nuances culturais, desde que a essência da marca seja preservada.
No remoto, cultura é sustentada por:
- lideranças influentes
- ritos frequentes
- propósito claro
Comunidades open source, como projetos de software, mostram que isso é possível mesmo sem presença física.
O perigo do crescimento acelerado
Um dos alertas finais do episódio é sobre o crescimento rápido demais.
Crescer sem estrutura costuma gerar dois erros fatais:
- contratar pessoas sem fit cultural
- negligenciar onboarding
Receber mal uma pessoa no início compromete toda a jornada futura e frequentemente leva a decisões dolorosas mais à frente.
A máxima deixada por Anderson resume bem o equilíbrio necessário:
“vamos com calma, porque temos pressa.”
Conclusão
O episódio deixa um recado claro para líderes e gestores de vendas B2B:
cultura forte não é discurso, é prática diária.
Times de alta performance são construídos quando:
- gente vem antes de processo
- contratação é feita com critério
- gestão tem método
- liderança dá exemplo
- crescimento respeita a cultura
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