Como criar uma máquina de vendas através de parcerias e ecossistemas: os aprendizados do VendAZ com Juliana Tubino

No episódio do podcast VendAZ, a conversa girou em torno de uma pergunta central para empresas B2B que buscam escala com previsibilidade:


como sair do crescimento dependente de esforço direto e construir uma máquina de vendas sustentável através de parcerias e ecossistemas?


Para responder a isso, recebemos Juliana Tubino, executiva com uma trajetória singular: foi líder global na Microsoft, atuou como CRO da RD Station ajudando a construir uma das maiores máquinas de receita SaaS do Brasil, e hoje é investidora, conselheira, board member e cofundadora do Ecossistema Octo, além de autora do best-seller Ecossistema de Parceiros.



O episódio deixa claro que parcerias não são um canal auxiliar, mas um pilar estratégico para empresas que querem jogar o jogo da nova economia com consistência.

Ecossistema não é parceria transacional


Um dos principais alertas da conversa é o erro comum de tratar parcerias apenas como algo transacional, limitado a afiliados ou revendas.


Um ecossistema de verdade olha para a jornada completa do cliente e entende que diferentes parceiros influenciam diferentes momentos da decisão de compra.


Juliana propõe uma visão mais ampla, dividindo os parceiros por função dentro da jornada:


Descoberta e influência


São parceiros que ajudam o cliente a perceber uma necessidade que ainda não estava clara.

Eles influenciam antes mesmo da intenção de compra existir.


Venda e implementação


Aqui entram revendedores, consultorias e parceiros de serviço que ajudam a viabilizar a adoção da solução, reduzindo risco e aumentando velocidade de fechamento.


Retenção e expansão


Parcerias que ajudam no pós-venda, no suporte, na internacionalização ou em estratégias de upsell e cross-sell.

Quando a empresa enxerga parcerias dessa forma, ela deixa de competir sozinha pela atenção do cliente e passa a orquestrar valor ao longo de toda a jornada.


O Método OCTO para construir máquinas de crescimento via parceiros


A conversa apresenta o Método OCTO, uma abordagem estruturada para transformar parcerias em um verdadeiro motor de receita.


Arquitetura do ecossistema


Tudo começa com estratégia.

Antes de recrutar parceiros, é necessário responder perguntas fundamentais:


  • Qual é o ICP real da empresa?
  • Onde está o maior valor para o cliente?
  • Em quais pontos terceiros podem complementar essa proposta de valor?


Sem essa arquitetura clara, o ecossistema vira um conjunto desorganizado de acordos isolados.


Jornada do parceiro


Parceria não nasce pronta.

Ela precisa ser construída como qualquer outro funil.


Isso envolve:


  • atração e recrutamento
  • onboarding claro
  • capacitação técnica e comercial
  • atuação conjunta no go-to-market


Empresas que tratam parceiros como vendedores autônomos tendem a fracassar.

As que tratam parceiros como extensão estratégica do negócio criam escala real.


Gestão do ecossistema


Nenhum programa de parceiros sobrevive sem gestão.


Isso inclui:


  • definição clara de papéis
  • indicadores específicos
  • time interno dedicado
  • governança de decisões


Ecossistemas bem-sucedidos são geridos com o mesmo rigor de uma operação comercial direta.


Parcerias precisam ser estratégia central, não projeto paralelo


Outro ponto forte do episódio é a crítica ao modelo em que parcerias ficam isoladas em uma área periférica da empresa.


Para funcionar, o modelo de parceiros precisa ser core.


Isso exige:


  • envolvimento do C-level
  • poder de decisão real
  • alinhamento com produto, marketing e vendas


Quando o ecossistema não tem apoio executivo, ele vira apenas mais um experimento que morre na primeira crise.


Comissão não é o principal motivador dos parceiros


Um dos insights mais contraintuitivos da conversa é que dinheiro raramente é o principal fator de engajamento dos parceiros de alta performance.


Em pesquisas, a comissão costuma aparecer apenas como quarto ou quinto motivador.


O que realmente gera tração são fatores como:


Treinamento e suporte


Parceiros valorizam empresas que os ajudam a vender melhor, entender o cliente e reduzir risco.


Apoio direto em negociações


A presença do time da empresa em momentos estratégicos de fechamento aumenta confiança e taxa de conversão.


Oferta combinada de valor


Parcerias funcionam quando resolvem um problema maior do que cada parte conseguiria sozinha.


Juliana usa um exemplo simples:

uma loja de roupas indica uma costureira. A costureira indica a loja. Ambas ganham porque resolvem melhor a dor do cliente.


Como identificar o parceiro ideal


O parceiro ideal não é aquele que quer vender seu produto, mas aquele que já está influenciando a decisão do seu cliente.

Estudos mostram que, em média, existem cerca de seis influenciadores indiretos em cada jornada de compra B2B.


O exemplo dos contadores


Para empresas de ERP ou soluções financeiras, contadores são parceiros naturais.

Eles:


  • sofrem com a desorganização dos clientes
  • têm influência direta nas decisões
  • ganham eficiência quando indicam uma boa ferramenta


Esse tipo de parceria gera valor real para todas as partes envolvidas.


Quando começar a construir um ecossistema?


Diferente da visão tradicional de que primeiro é preciso dominar vendas diretas para depois pensar em parceiros, Juliana propõe uma abordagem mais moderna.


Hoje, graças à tecnologia, empresas podem:


  • testar modelos indiretos desde o início
  • vender através de parceiros com times enxutos
  • escalar sem depender de um grande time interno de vendas


Para empresas B2B em estágio inicial ou com recursos limitados, parcerias são uma alavanca estratégica de escala.


Liderança e gestão em cenários de crise


O episódio também traz aprendizados importantes sobre liderança.

Em momentos de crise, como a pandemia, Juliana reforça que líderes precisam ser:


  • diretos
  • estratégicos
  • presentes


Isso envolve:


  • planos de ação claros
  • cadências de reuniões mais próximas
  • foco nos líderes mais seniores como exemplo para o time


Além disso, empresas que investem continuamente em capacitação conseguem se adaptar mais rápido a mudanças profundas, como o trabalho remoto e novos modelos de venda.


Conclusão


O principal aprendizado do episódio é claro:


parcerias e ecossistemas não são atalhos, mas sistemas de crescimento bem desenhados.


Empresas B2B que querem previsibilidade precisam:


  • olhar para a jornada completa do cliente
  • tratar parcerias como estratégia central
  • construir arquitetura, jornada e gestão
  • envolver liderança no mais alto nível
  • focar em valor compartilhado, não apenas comissão


Quem fizer isso agora estará melhor posicionado para crescer na nova economia.



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