Como identificar gargalos no funil de vendas B2B (e o que fazer para corrigi-los)

Seu time trabalha sem parar. Aborda leads, faz reuniões, envia propostas. O pipeline está cheio. Mas quando o mês fecha, a conversão está abaixo do esperado e ninguém entende por quê.


O problema não é falta de esforço. É que existe um gargalo no funil de vendas que está matando a conversão. E se você não sabe onde ele está, não tem como corrigir.


Este artigo vai te mostrar como identificar gargalos no funil de vendas B2B e o que fazer para corrigi-los de forma cirúrgica, sem mexer no que já está funcionando.


Por que a maioria das empresas não identifica gargalos


Antes de falar em como identificar gargalos, precisa entender por que eles passam despercebidos.


A causa mais comum: falta de olhar por etapa. O gestor comercial olha apenas para a conversão geral (leads → vendas fechadas) e assume que o problema é "o time não está vendendo bem". Mas não é.


A conversão geral é apenas o resultado final. O problema está em alguma etapa específica do funil, onde as oportunidades estão travando ou caindo muito mais do que deveriam. Se você não olha por etapa, não vê onde está o problema real.


O que é um gargalo no funil de vendas


Um gargalo é uma etapa do funil onde a conversão está significativamente abaixo do esperado. É o ponto onde oportunidades morrem em volume maior do que o normal, criando um "entupimento" no processo.


Exemplo:


  • 100 leads entram no topo do funil.
  • 80 chegam na qualificação (conversão de 80%, bom).
  • 50 avançam para diagnóstico (conversão de 62%, bom).
  • Mas apenas 10 chegam à proposta (conversão de 20%, péssimo).


O gargalo está entre diagnóstico e proposta.


Quando você identifica onde está o gargalo, sabe exatamente onde investir energia para melhorar. Sem isso, você melhora no escuro, sem saber se está consertando o problema certo.


Como identificar gargalos no funil: análise em 4 passos


1. Mapear a conversão real por etapa do funil


O primeiro passo é fazer o mapeamento completo da conversão por etapa. Não basta saber quantas oportunidades existem em cada fase. Você precisa saber quantas avançam de uma fase para outra.


Pegue as últimas 50 a 100 oportunidades que passaram pelo funil (fecharam ou não) e mapeie:


Quantas entraram em cada etapa. Quantas avançaram para a próxima etapa. Qual a taxa de conversão entre cada etapa.


Exemplo de mapeamento:


  • Leads gerados: 100
  • Qualificação: 70 (conversão 70%)
  • Diagnóstico: 50 (conversão 71%)
  • Proposta: 15 (conversão 30%) ← GARGALO
  • Negociação: 12 (conversão 80%)
  • Fechamento: 8 (conversão 67%)


Nesse exemplo, o gargalo está claro: entre diagnóstico e proposta, apenas 30% das oportunidades avançam. É ali que você precisa atuar. Se você quer entender mais sobre taxa de conversão, leia o guia completo.


2. Comparar com benchmarks ou histórico


Depois de mapear a conversão atual, compare com benchmarks da indústria ou com o próprio histórico da empresa.

Se você não tem benchmarks externos, use o histórico interno dos últimos 6 meses. Qual era a conversão de cada etapa quando as vendas estavam melhores? Onde a conversão caiu mais?


Essa comparação revela se o gargalo é crônico (sempre foi ruim) ou agudo (piorou recentemente). Gargalos crônicos indicam problema estrutural no processo. Gargalos agudos indicam problema pontual (vendedor novo, mudança no perfil do lead, concorrente novo).


3. Investigar o motivo da queda por etapa


Identificar onde está o gargalo é metade do trabalho. A outra metade é entender por que ele existe.

Para cada etapa com conversão baixa, faça as perguntas:


  1. Por que as oportunidades não estão avançando?
  2. O que está diferente nas que avançam vs. nas que não avançam?
  3. Há algum padrão no perfil das oportunidades que travam?
  4. O vendedor está fazendo algo diferente nas que avançam?


Exemplo de investigação: no caso do gargalo entre diagnóstico e proposta, você descobre que 70% das oportunidades que travam não têm decisor identificado. O problema não é a qualidade do diagnóstico. É que o time está fazendo diagnóstico com a pessoa errada.


Essa investigação não se faz olhando para números apenas. Exige conversar com o time, revisar gravações de reuniões, analisar casos específicos. Mas é essa investigação que revela a causa raiz.


4. Priorizar qual gargalo atacar primeiro


Se você identificar mais de um gargalo (o que é comum), precisa priorizar qual atacar primeiro. A regra é simples: comece pelo gargalo mais no início do funil que tenha maior impacto em volume.


Por quê? Porque um gargalo no início do funil afeta todas as etapas seguintes. Se você corrige primeiro o gargalo no final (ex: entre proposta e fechamento), está otimizando uma etapa que recebe poucas oportunidades porque o gargalo do início já matou a maioria.


Exemplo: se você tem gargalo na qualificação (30% de conversão) e gargalo na proposta (50% de conversão), corrija primeiro a qualificação. Porque ao corrigir a qualificação, mais oportunidades qualificadas vão chegar na proposta. Aí você otimiza a proposta e multiplica o resultado.


Os 3 tipos de gargalos mais comuns e como corrigir


Gargalo na qualificação: entram leads sem fit


Sintoma: muitos leads entram no funil mas poucos avançam para diagnóstico. Conversão da qualificação está abaixo de 50%.


Causa raiz: falta de critérios claros de qualificação. O time está aceitando qualquer lead que demonstra interesse, sem validar fit, problema, orçamento.


Como corrigir:


  • Defina critérios mínimos para criar oportunidade no CRM.
  • Implemente pré-qualificação antes do primeiro contato comercial.
  • Treine o time para desqualificar sem dó quando não há fit.


Gargalo entre diagnóstico e proposta: falta informação crítica


Sintoma: oportunidades chegam no diagnóstico mas poucas avançam para proposta. Conversão está abaixo de 40%.


Causa raiz: o time está tentando enviar proposta sem ter informações críticas (decisor, orçamento, prazo, critérios de decisão, concorrentes).


Como corrigir:


  • Crie checklist obrigatório para avançar para proposta.
  • Não permita que proposta seja enviada sem essas informações.
  • Documente no playbook as perguntas obrigatórias do diagnóstico.


Gargalo após proposta: follow-up inexistente


Sintoma: propostas enviadas mas poucas fecham. Cliente some, vendedor não sabe o que fazer.


Causa raiz: falta de protocolo de follow-up estruturado. Vendedor envia proposta e espera o cliente responder.


Como corrigir:


  • Implemente protocolo de follow-up: 3 tentativas em 2 semanas.
  • Sempre acordar próximo passo antes de enviar proposta.
  • Treinar o time para trazer informação nova a cada follow-up.


O erro mais comum ao corrigir gargalos


O erro mais comum é tentar corrigir tudo ao mesmo tempo. O gestor identifica três gargalos e cria três iniciativas paralelas. Resultado: nada melhora de verdade porque a energia está dividida.


A forma certa: corrige um gargalo por vez. Foca toda a atenção do time naquela etapa específica por 30 dias. Mede o resultado. Se melhorou, passa para o próximo. Se não melhorou, ajusta a abordagem.


Otimização de funil não é sprint. É maratona. Mudanças incrementais e focadas geram mais resultado do que revoluções mal executadas.


Identifique o gargalo antes de tentar melhorar a conversão


Se a sua conversão está baixa, o problema não é "o time não sabe vender". É que existe um gargalo específico no funil que está matando as oportunidades.


Quando você identifica onde está o gargalo e corrige de forma cirúrgica, a conversão melhora sem precisar mexer no processo inteiro. Você ataca a causa raiz, não o sintoma.


Se você quer estruturar vendas B2B com previsibilidade e melhorar o forecast, comece identificando e corrigindo os gargalos do seu funil.



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